A Verdade Sobre os Jovens

25 de outubro de 2016

O acesso quase irrestrito à tecnologia transformou não apenas o comportamento dos jovens, mas sua maneira de encarar o que é ser adulto. Eles não querem que “virar adulto” seja algo permanente, irrevogável.  Preferem que o acesso à vida adulta seja do seu jeito, segundo a sua conveniência. Tornar-se adulto – “to adult”– passa a ser um verbo, não um substantivo ou adjetivo.

Se antes falava-se em “nativos digitais”, hoje fala-se em “nativos do always on”. Os jovens estão sempre conectados, 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana), não importa o lugar.

Esses são alguns entre os diversos achados do estudo “A verdade sobre os Jovens”, realizado globalmente pela Truth Central, divisão de inteligência e estudos proprietários da rede McCann, que buscou mapear o comportamento da chamada Geração Z (nascidos entre a década de 1990 e o ano de 2010), comparando-os aos Millennials (nascidos entre a década de 1980 e o ano 2000).

A pesquisa ouviu mais de 33 mil pessoas, 11 mil delas entre 16 e 30 anos, segmentadas em dois grupos etários para efeito comparativo: 16 a 20 anos (Geração Z) e 21 a 30 anos (Millennials), no Brasil, EUA, Reino Unido, China, Índia, Chile, México, Japão, Espanha, Hong Kong, França, Alemanha, Itália, Turquia, África do Sul, Filipinas, Canadá e Rússia. Os demais 22 mil respondentes possuem idades entre 31 e 70 anos, e suas faixas etárias corresponderam ao perfil demográfico dos respectivos países.

No Brasil, foram 1.811 mil entrevistados, dos quais 669 entre 16 e 30 anos, de todas as classes sociais, sendo 5,5% da classe AA (renda mensal doméstica acima de R$ 9.746,00), 1,1% da classe A (renda doméstica mensal entre R$ 7.476,00 e R$ 9.745,00), 1,3% da classe B (renda doméstica entre R$ 5.476,00 e R$ 7.475,00),  57,9% da classe C (renda doméstica entre R$ 1.735,00 e R$ 5.475,00), 21,1% da classe D (renda doméstica entre R$ 1.086,00 e R$ 1.734,00) e 13% da classe E (até R$ 1.085,00).

Entre as mudanças comportamentais fortemente impulsionadas pela tecnologia está o fato de os jovens brasileiros de 16 a 20 anos estarem muito mais ativamente conectados quando comparados a outras faixas etárias. Eles enviam, em média, 206 mensagens por dia (versus 73 mensagens enviadas pelos usuários de internet entre 21 e 30 anos, 20 mensagens enviadas pelos que têm entre 35 e 50 anos e 17 enviadas pelos que têm entre 51 e 69 anos).

Para efeito comparativo, a média mundial de envios de mensagens entre 16 e 20 anos cai para 120 por dia, evidenciando o quão ativos os brasileiros são nas redes sociais. Cerca de 44% deles declaram que se expressam melhor através de recursos audiovisuais do que através da fala ou da escrita.

Vinte e cinco por cento desses mesmos jovens entre 16 e 20 anos afirmam já ter recebido nudes ou mensagens de cunho sexual. Essa mesma faixa afirma ser socialmente aceitável alguém morar com os pais até os 31 anos (idade que se eleva para 36 anos quando aferida a média das respostas de todos os participantes da pesquisa).

Os jovens brasileiros (16-30 anos) também revelam alta sociabilidade ao informarem possuir 17 melhores amigos, versus os 6 melhores amigos da média global.

Além disso, quando comparados às gerações anteriores, mais focados nas liberdades individuais, vemos que os jovens atuais valorizam mais a igualdade social. Entre 16 e 34 anos, 53% se preocupam com a questão da Igualdade Racial, 28% com o Feminismo, 21% com direitos LGBT e 10% com questões dos transgêneros. Índices que caem respectivamente para 43%, 11%, 3% e 3% em cada uma destas questões em se tratando de indivíduos a partir de 51 anos.

A despeito das novidades comportamentais, o estudo endossa o fato de que os dilemas fundamentais dos jovens não mudaram. Eles ainda querem encontrar a si mesmo, encontrar sua galera e encontrar seu lugar no mundo. Porém, a maneira como essa busca se dá mudou completamente.

“Foi interessante notar que, se por um lado temos esse jovem caleidoscópico, que, devido ao acesso à internet, tem um repertório de referências e pontos de vista infindáveis, por outro constatamos desafios e contingências que são universais e transversais, independentemente das gerações”, explica Debora Nitta, vice-presidente de planejamento da WMcCann e responsável pelo estudo no país.

Entre as verdades transversais à juventude, está a necessidade de “encontrar a si mesmo”, um processo cheio de ansiedade e insegurança, próprio do período de formação da identidade. Nessa fase, os amigos são importantíssimos, pois “encontrar sua galera” é essencial na definição da identidade pessoal do jovem. Por fim, “encontrar seu lugar no mundo” é a terceira dimensão desse estágio da vida, busca que se dá através dos tempos e consiste na definição de valores, paixões, ideais e parâmetro moral.

“Ao considerarmos essas três dimensões da busca por identidade do jovem, constatamos que os fundamentos básicos sobre o que é ser jovem não mudaram. No entanto, o contexto no qual esse processo se dá e as ferramentas utilizadas nesse mesmo processo foram totalmente redefinidos”, aponta Debora.