A verdade sobre o bem-estar

17 de abril de 2013

A McCann Truth Central, a unidade de inteligência global da McCann, maior agência de publicidade do mundo, lança hoje uma nova pesquisa chamada “A Verdade Sobre o Bem-Estar”, um estudo regional com 5770 entrevistados, realizado no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México.

O estudo on-line replica iniciativa global realizada no primeiro trimestre de 2013 que ouviu 7 mil entrevistados nos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, China, Japão, África do Sul e Turquia e complementada qualitativamente nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Peru e Brasil.

No Brasil foram 1 mil pessoas entrevistadas.

Josafat Solis, diretor do McCann Truth Central para a América Latina e responsável pelo estudo na região, pondera: “O bem-estar é o novo Santo Graal, é tema de comunicação de empresas e marcas das mais distintas categorias e com os mais distintos targets, o que a torna quase uma commodity, ainda que não haja uma definição única de seu significado. O bem-estar pode ser entendido desde sua dimensão estritamente física (saúde) e logística (ter um bom nível socioeconômico) até sua dimensão espiritual (religião)”.

Solis aponta que 78 % dos entrevistados creem que a questão do bem-estar será cada vez mais importante, chegando a 84% e 83% respectivamente no Brasil e Peru. “Quando temos países que extrapolam o cálculo do PIB e passam a aferir o IFB – Índice de Felicidade Bruta, torna-se indiscutível a importância desse tópico para a sociedade e, consequentemente, para as marcas”.

Contradições oportunidades e riscos:

As pessoas julgam o estado metal (20,47%) e físico (19,76%) como os pilares do bem-estar, seguidos de perto pelo estado emocional (17,56%), financeiro (16,66%) e espiritual (15,42%). O quesito menos citado foi o bem-estar social, com 10,3%.

Na média 22% dos latino-americanos também apontam a família como outra fonte na qual elas podem encontrar bem-estar.

“Isso significa que não há um aspecto que se sobreponha amplamente em relação aos demais, ou seja, o bem-estar é visto como vindo de uma variedade de fontes, não se apenas uma. No caso do aspecto social, que obteve o índice mais baixo, isso pode significar que o bem-estar é visto como algo muito individual ou familiar, mais do que relacionado à sociedade”, pondera Solis.

Mesmo assim, 81% dos respondentes afirmam que os governos deveriam se responsabilizar pelas pessoas alcançarem o bem-estar, seguidos pelas empresas (75%) e pelas marcas (70%).

Os brasileiros, no entanto, são os que menos culpam o seu país pelas dificuldades de se conquistar mais qualidade de vida: apenas 7% dos entrevistados opinam dessa maneira. Na maioria dos outros países da América Latina, a parcela de respostas que classificam os países como culpados está em torno de 10%, e chega a 22% na Argentina.

Enquanto a maioria (32%) aponta a economia como a principal razão como entrave para a conquista do bem-estar, indicando em 29% dos casos o dinheiro como o principal fator para ter bem-estar, 63% acredita que é a saúde o fator preponderante para o bem-estar, e 86% acredita que têm o poder de mudar seu nível de bem-estar.

Vale ressaltar que, na América Latina, o dinheiro antecede conceitos mais intangíveis para a obtenção do bem-estar, como paz (25%), segurança (20%), espiritualidade (19%) e estado físico (15%). A exceção é o Brasil, onde a espiritualidade se sobrepõe a todos os outros fatores, com 37% dos respondentes associando fé a bem-estar, e onde o dinheiro ocupa apenas 15% das menções.

E apesar de 73% dos respondentes se sentirem positivos em relação a seu estado de saúde, apenas 28% pratica exercício físico regularmente e só 30% acreditam que estarão mais saudáveis em 2020.

A despeito da contradição evidencia-se um enorme espaço para as empresas e marcas atuarem como viabilizadoras do bem-estar do consumidor, principalmente quando se identifica que a grande maioria dos entrevistados deseja ter mais apoio em sua busca por uma vida mais saudável: 73% no Brasil, 71% no México, 70% na Colômbia, 69% no Peru, 67% no Chile e 56% na Argentina.

Além disso, iniciativas como este estudo permitem que sejam identificadas similaridades e diferenças entre os distintos mercados e, portanto, as possíveis oportunidades para marcas de alcance regional.

No entanto, Solis alerta: “A questão na América Latina não é a escolha do tema bem-estar, mas como as empresas estão buscando explorá-lo. Se tornar uma “fonte de bem-estar” é uma estratégia mercadológica desafiadora e, em certa medida, pretensiosa por parte das marcas que declararem que as pessoas podem conquistar o bem-estar através do uso de seus produtos e serviços”. Ou seja, as marcas devem atentar para o fato de que caso não realizem ações verdadeiramente convincentes na área, podem ser vistas mais como parte do problema do que da solução.

Em resumo, os latino-americanos e os brasileiros, ainda que saibam que o bem-estar é um estado mais relacionado a decisões e atitudes individuais, tendem a terceirizar a responsabilidade para dimensões e fatores externos, como a falta de condições socioeconômicas.

Desenvolvimento econômico e do bem-estar

Apesar de parecer intuitivo, o elo entre o desenvolvimento econômico e o bem-estar individual se mostra destacado em países da América Latina. No Brasil, depois do grande crescimento econômico nos últimos anos, as pessoas continuam a associar bem-estar a poder de compra. 31% dos brasileiros encaram a situação econômica como uma barreira para o alcance do bem-estar, índice muito próximo a outros países latino-americanos como México, Peru, Chile e Argentina, com 32%, 33%, 32% e 27%, respectivamente.

Em oposição aos benefícios que a maior renda e número de empregos geram, um obstáculo começa a ser cada vez mais visível: a falta de tempo. Os brasileiros lideram a lista dos latino-americanos que veem a falta de tempo como inimigo do bem-estar. 14% deles acreditam que este é o maior empecilho, enquanto no Chile 10% pensam da mesma forma, na Argentina, 8%, no México e no Peru, 7%, e na Colômbia, apenas 4%.

Bem estar e tecnologia

O estudo também identificou que a tecnologia é vista mais como uma aliada do que como uma inimiga da conquista do bem-estar. A tecnologia também é vista como um componente que, além de conveniente, confere grande credibilidade à informação que as pessoas buscam ao se informar sobre saúde e bem-estar. O que leva à conclusão de que há muitas oportunidades às empresas, marcas e serviços que se apresentem como facilitadoras dessa busca.

54% das pessoas pesquisam sobre eventuais sintomas de doenças na internet, depois de uma consulta médica, e 43% antes de ir ao médico.

46% acreditam que a tecnologia é um fator importante no ensino das pessoas sobre o bem-estar, 35% dizem que se sentem mais em controle de sua saúde por causa da tecnologia, 26% confia mais na tecnologia que em seus instintos quando o assunto é saúde e 19% acreditam que em alguma medida a tecnologia acabará com a figura do médico.


Saúde de corpo e de espírito

Convivendo em harmonia ao lado de questões concretas, como produtos tecnológicos e maior renda, a fé marcante dos brasileiros e latino-americanos também foi detectada na pesquisa.

Segundo o estudo, no Brasil as pessoas tendem a levar a noção de bem-estar a um nível espiritual, que procura solucionar anseios comuns como paz (que 37% dos brasileiros associam diretamente a bem-estar, contra 20% da média regional), equilíbrio (33% dos brasileiros contra 26% na região) e harmonia (23% contra 15%). A própria ideia de espiritualidade é mais lembrada no Brasil do que na maioria dos países pesquisados, na discussão de bem-estar.

Vale destacar ainda que para os brasileiros cuidar do corpo e manter uma vida saudável está estreitamente relacionado a manter a paz mental.