A verdade sobre o eu conectado

6 de junho de 2013

A McCann Truth Central, unidade de inteligência global do McCann Worldgroup, em conjunto com a McCann Global Telecom, realizou o estudo “A Verdade sobre o Eu Conectado”,  investigação online quantitativa e qualitativa com 9 mil participantes de 9 países (Estados Unidos, Brasil, Reino Unido, Alemanha, Espanha, África do Sul, Índia, China e Japão). O estudo também analisou quase 20.000 publicações em fóruns de discussão nos mesmos países, além das Filipinas, Chile, Egito, Noruega e Suécia.

“Globalmente, o consumidor comum se tornou um usuário de dispositivos móveis há somente 12 anos”, diz Laura Simpson, Diretora Global da McCann Truth Central. “Isso significa que, se calcularmos em anos nosso histórico de contato com a tecnologia móvel, somos todos adolescentes. E como a maioria dos adolescentes, estamos assumindo riscos e experimentando coisas novas”. Os dados coletados mostram que em sua vida “móvel” relativamente jovem, o consumidor possuiu em média 6,4 aparelhos e começa “um relacionamento sério” com um novo aparelho ou operadora a cada 22 meses.

“Nossos anos adolescentes de tecnologia móvel criam oportunidades fantásticas para marcas que desejam melhorar o relacionamento com os seus consumidores”, afirma Kevin Nelson, Líder Global de Telecomunicações da McCann. “Mas as marcas precisam entender que as pessoas colocam os dispositivos móveis em uma categoria acima de outros meios. Isso porque dispositivos móveis são mais pessoais, menos parecidos com a televisão e computador pessoal e mais como uma extensão de nós mesmos. Marcas que respeitarem essa relação única serão valorizadas e aquelas que não o fizerem serão rapidamente descartadas”.

Vale ressaltar que em cada país os usuários apresentam um uso distinto dos dispositivos móveis não apenas por diferenças culturais, mas, sobretudo, pelo nível de maturação do mercado consumidor.

A pesquisa indica que em países em desenvolvimento o usuário atribui ao dispositivo móvel um valor superior ao dado pelos consumidores de nações do primeiro mundo.

Globalmente 46% dos entrevistados dizem que o smartphone é a sua fonte principal de entretenimento. Esse número salta para 56% no Brasil e para incríveis 74% e 75% na Índia e na China.

E enquanto a média mundial é de 69% para aqueles que dizem que os dispositivos móveis nos tornam pessoas mais sociáveis e melhores, esse índice chega a 78% no Brasil, 79% na China e 86% na Índia.

Crise de identidade

Adolescentes, com muita frequência, estão em busca da sua real identidade e da definição de sua personalidade. Surpreendentemente, o estudo revela que a personalidade “móvel” das pessoas muitas vezes é diferente da personalidade “cara a cara”. Por exemplo: uma pessoa que muitas vezes é vista como reservada na vida real pode ser bem mais expansiva no mundo móvel. Os entrevistados tinham em média 52% mais probabilidade de serem extrovertidos em seus dispositivos móveis do que em suas vidas fora da rede.

Algumas das implicações menos desejadas de se ser um adolescente incluem a pressão de fazer parte do grupo e a tendência de julgar os outros. O estudo mostra que 74% dos entrevistados dizem que os seus dispositivos móveis os ajudaram a “fazer parte” de um grupo ao invés de se destacar nele. Enquanto 55% disseram que julgam uma pessoa pelo tipo de dispositivo móvel que ela possui; 40% disseram que julgam pela operadora de telefonia escolhida.

No Brasil

Os brasileiros tem uma relação mais emocional com seus telefones em comparação a outros mercados, e são mais propensos a tanto amar quanto odiar seus aparelhos.

22% dos brasileiros descrevem seu relacionamento com seu smartphone como o de duas pessoas apaixonadas, índice que cai para 18% globalmente.

Por outro lado, 9% de nós encaram sua relação com sua operadora de telefonia como sendo entre adversários, índice que cai para 2% globalmente.

Na média, os brasileiros possuem o mesmo aparelho por 11 anos versus 12 anos globalmente.

89% dos brasileiros dizem que os aparelhos móveis mais simplificaram do que complicaram sua vida, enquanto a média global é de 74%.

Os brasileiros acreditam que seu aparelho pode fazer com que ele se destaque mais em comparação à média mundial (39% versus 26%).

Também nos destacamos em relação aos entrevistados do restante do mundo nos quesitos de uso constante do celular e a sua conexão com o aparelho. Enquanto globalmente 9% das pessoas dizem que estão com o celular a todo tempo, e têm uma relação profunda com seu aparelho, no Brasil esse índice dobra – 18%.

Essa conexão é tão forte que o brasileiro não se afasta do aparelho celular nem mesmo no momento de ir ao banheiro, mandando mensagens e navegando na internet. Metade dos brasileiros (50%) assume esse tipo de comportamento, enquanto o número global é 38%.

Isso se deve ao perfil mais extrovertido e social do brasileiro, expresso em outro dado: enquanto globalmente 56% das pessoas preferem mandar mensagens mais longas e com um espaço maior de tempo, 69% dos brasileiros preferem as mensagens curtas e com pouco tempo entre uma e outra.

“Isso não significa que somos um povo dependente do celular em função de todos os recursos que ele oferece, como aplicativos diversos para gerenciar e auxiliar no dia a dia. Essa dependência ao aparelho reflete nosso traço cultural de querer sempre manter contato através de conversas e mensagens, além do uso de outros recursos simples, como ouvir músicas e rádio”, explica Daniel Palma, gerente de planejamento da WMcCann, responsável pela realização do estudo no Brasil.

Oportunidades para anunciantes e otimismo

De acordo com o estudo, 63% das pessoas afirmam que gostariam que a publicidade vista através de seus telefones celulares ou tablets fosse mais interessante. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que a publicidade pode ser uma oportunidade real para as marcas que desejarem se conectar com consumidores.

O estudo revela também a grande esperança e empolgação dos usuários adultos de telefones celulares em relação ao futuro viabilizado por esta mobilidade, um ponto de vista otimista que reforça a semelhança destes com os adolescentes.

Quase 40% das pessoas acreditam que a tecnologia móvel nos tornará mais capacitados para desenvolver soluções para o crime, 21% acreditam que a tecnologia móvel pode nos ajudar a evitar crises econômicas globais, e 16% acreditam que a tecnologia móvel pode vir a ajudar na contenção de surtos de gripe.

Os sete pecados capitais do mundo móvel

Neste admirável mundo da conectividade, a maioria dos usuários de dispositivos móveis ainda está tentando entender como deve se comportar e o que é certo e o que é errado. O estudo traçou os 7 pecados capitais cometidos nesse contexto:

LUXÚRIA: Enviar ou encaminhar um texto de cunho sexual explícito (também conhecido como ‘sext’)

– Mais de 1 em cada 10 pessoas afirmam ter recebido esse tipo de mensagem

GULA: Quando o vício pelo dispositivo móvel se torna excessivo

– 38% das pessoas falam ao telefone quando estão no banheiro

AVAREZA: Baixar conteúdo de forma ilegal

– 29% das pessoas admitem fazer isso (no Brasil o índice sobe para 31%)

 PREGUIÇA: Selecionar quais chamadas atender e evitar textos

– 55% das pessoas admitem ter ignorado uma ligação de propósito

IRA: Sujar as suas mensagens de celular com palavrões

– 20% usam palavrões em suas mensagens (no Brasil esse índice cai para 13%)

INVEJA: Julgar alguém por “sua tela inicial

– 55% admitem julgar outras pessoas pela escolha do dispositivo móvel e 40% pela operadora escolhida

ORGULHO: Viver em sua própria bolha móvel

– 44% das pessoas dizem que elas têm o direito de fazer o que quiserem com os seus dispositivos móveis (mesmo se isso significar incomodar os demais!).